domingo, 14 de dezembro de 2008
Cavalcante
domingo, 7 de dezembro de 2008
Tardelli
Esse episódio do Tardelli, na melhor das hipóteses, denuncia a promiscuidade que marca as relações entre o interesse público e o privado no esporte brasileiro. Os clubes se alimentam de tratamento tributário diferenciado, e o prato é servido quente para os espertos se locupletarem nas nossas fuças, apaixonados incorrigíveis. A Madonna vai desfilar sua segunda idade anoréxica no Morumbi? E tome de ingressos para a plutocracia esportiva acobertar seus interesses escabrosos. É assim com as viagens mordômicas da CBF, com os coquetéis e regabofes movidos a dinheiro público. O grande erro é aceitar a tese canhestra de que o clube é dos sócios. Se a teta generosa dos cofres públicos abastece a ganância das raposas, clube de futebol, no Brasil, é assunto de interesse social. Com punidade, responsabilidade criminal e o escambau. Com safado pagando por safadeza. E ficam os forrest gumps falando em filiação em massa. Beto Sales | ||||
sábado, 6 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Cretinos
domingo, 30 de novembro de 2008
Xavantinho e Indigenous
Pro ouvir música num sou de emeiação, num tranco fila: ouço o que adentra as orelhas. Despreconceituo feito um Ronaldo à socapa. Tenho cá comigo, entretanto, minhas gostanças, e recheio meu ai-pódi cum um miolo delas. De começo, muito brega seminal, o lamento bramido do lumpesinato banguela. Não trança de brega ornado a Armani, com chão de teclados pastosos ventriloquando violinos de perfumaria. Gosto do brega das feiras, das casas de beira, do salvo-conduto das prostitutas, dos cornos e dos corações esperançosos. A trilha dos que esperam pela via do improvável a mão estendida e quente dos que os tirem de algum lugar. Qualquer lugar seja. Ouço exotices como Marilena dos Teclados, Arenilson, Waldivânia, mais uma sansa deles. E, claro, Odair, Paulo Sergio e Amado Baptista. Músicas que contam histórias que nos captam pela sinceridade crua, pelo absoluto descomprometimento com pruridos. Traições confessadas, opções sexuais declaradas, promessas lenitivas e desabridas, confissões incorretas, traumas insuperados, penitências expiatórias, maus-gostos desreprimidos. Um rio de paixão em correnteza de cabeça d’água. Ouço por costume e me costumei de ouvir.
Fico por outro tocado de sentimento terno com a pungência da toada caipira, da viola rasqueada em pagode, galope ou moda. São também histórias tristes de chão perdido, de grotão abandonado, de amor separado por chão de milha e incerteza. A viola é uma espécie de cravo de colo, o terrão na conta pro deitar tristeza.
Ouço muito pelo mais africanagens, goianagens e rípi-rópi, e pelo mais de outros, mas ouço ainda por invés roquenrol de guitarra enguiçada. A geração mitológica comeu terra de palmo abaixo ou envelhou, mas voam por sobre os de hoje com o saber espreito de um falcão de milhagem alta. Dos novos, assunto Nirvana e Pearl Jam. Rascantemente melancólicos. O Govt Mule, Back Door Slam. Tem o Eric Gales, reencarnação bastarda do maior de todos, Jimi. O Steve Ray Vaughan, o Charles Duarte, o Kenny Sheppard. Mais uns que num digo que aqui num é lista. Por dia outro ouvi uns siouxs malucos que mandam um rock sujo de encompridar pêlo: Indigenous, o nome dos caras. Vale daunlodiar.
E assim, no meu tocador de arquivo, vão convivendo pela via da paz cósmica de um Tupã transnacional as vozes e-muladas de Xavantinho e de uns sioux de rama.
Sem lasquim de árvore derrubada, de pátria traída, de idéia abolida. Sem a cretinice do alinhamento automático ao da hora.
Toca pelo que toca. E vivo o bom.
Beto Sales
Domingo
Beto Sales