domingo, 30 de novembro de 2008

Xavantinho e Indigenous

Pro ouvir música num sou de emeiação, num tranco fila: ouço o que adentra as orelhas. Despreconceituo feito um Ronaldo à socapa. Tenho cá comigo, entretanto, minhas gostanças, e recheio meu ai-pódi cum um miolo delas. De começo, muito brega seminal, o lamento bramido do lumpesinato banguela. Não trança de brega ornado a Armani, com chão de teclados pastosos ventriloquando violinos de perfumaria. Gosto do brega das feiras, das casas de beira, do salvo-conduto das prostitutas, dos cornos e dos corações esperançosos. A trilha dos que esperam pela via do improvável a mão estendida e quente dos que os tirem de algum lugar. Qualquer lugar seja. Ouço exotices como Marilena dos Teclados, Arenilson, Waldivânia, mais uma sansa deles. E, claro, Odair, Paulo Sergio e Amado Baptista. Músicas que contam histórias que nos captam pela sinceridade crua, pelo absoluto descomprometimento com pruridos. Traições confessadas, opções sexuais declaradas, promessas lenitivas e desabridas, confissões incorretas, traumas insuperados, penitências expiatórias, maus-gostos desreprimidos. Um rio de paixão em correnteza de cabeça d’água. Ouço por costume e me costumei de ouvir.

Fico por outro tocado de sentimento terno com a pungência da toada caipira, da viola rasqueada em pagode, galope ou moda. São também histórias tristes de chão perdido, de grotão abandonado, de amor separado por chão de milha e incerteza. A viola é uma espécie de cravo de colo, o terrão na conta pro deitar tristeza.

Ouço muito pelo mais africanagens, goianagens e rípi-rópi, e pelo mais de outros, mas ouço ainda por invés roquenrol de guitarra enguiçada. A geração mitológica comeu terra de palmo abaixo ou envelhou, mas voam por sobre os de hoje com o saber espreito de um falcão de milhagem alta. Dos novos, assunto Nirvana e Pearl Jam. Rascantemente melancólicos. O Govt Mule, Back Door Slam. Tem o Eric Gales, reencarnação bastarda do maior de todos, Jimi. O Steve Ray Vaughan, o Charles Duarte, o Kenny Sheppard. Mais uns que num digo que aqui num é lista. Por dia outro ouvi uns siouxs malucos que mandam um rock sujo de encompridar pêlo: Indigenous, o nome dos caras. Vale daunlodiar.

E assim, no meu tocador de arquivo, vão convivendo pela via da paz cósmica de um Tupã transnacional as vozes e-muladas de Xavantinho e de uns sioux de rama.

Sem lasquim de árvore derrubada, de pátria traída, de idéia abolida. Sem a cretinice do alinhamento automático ao da hora.

Toca pelo que toca. E vivo o bom.

Beto Sales

Domingo

Navegando pelos blogs do portal G1, visito fugazmente o do Paulo Coelho. Lá descubro um texto do violoncelista Pablo Casals: 

“Eu estou sempre renascendo. Cada nova manhã é o momento de recomeçar a viver. Há 80 anos que eu começo meu dia da mesma maneira - e isto não significa uma rotina mecânica, mas algo essencial para minha felicidade”.

“Eu acordo, vou para o piano, toco dois prelúdios e uma fuga de Bach. Estas músicas funcionam como uma benção para minha casa. Mas também é uma maneira de retomar contacto com o mistério da vida, com o milagre de ser parte da raça humana”.

“Mesmo fazendo isto há 80 anos, a música que toco nunca é a mesma - ela sempre me ensina algo novo, fantástico, inacreditável”.

O brabo é que meus domingos continuam iguais como os artifícios auto-ajudatórios do Mago. Não sei se por não saber tocar prelúdios e fugas, ou se por impossibilidade de os domingos serem diferentes.

Beto Sales

sábado, 29 de novembro de 2008

2010

Quem pensa que o PT sem Lula está morto para 2010,  prepare-se para o estrago.net que os companheiros estão urdindo, na moita, pela intensa mobilização de redes sociais vinculadas a programas públicos.

É coice de cavalo chucro.

Beto Sales

Cloacas 002

Oi: quem ama, bloqueia.
PF: quem ama, grampeia.

x-x-x-x-x-x-x

Cantata:

Obama, deixa eu ir
Obama, eu vou só
Obama, deixa eu ir
Bater tambor com sua vó

Beto Sales

Merda!

Duas de minhas maiores paixões em vida - Fluminense e Tim Maia - foram biografadas por um idiota: Nelson Motta.

Beto Sales

Cloacas 001

Tudo na vida tem dois lados, inclusive o terceiro.

Você já viu algum mendigo com gatos?

Para o derrotado a hunildade é patética. Para o vencedor, nem sempre.


Beto Sales

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Michael Jackson

Tô bolado com o que passa na cabeça do Michael Jackson depois da eleição do Obama. 

O caminho de volta é foda.

Beto Sales

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Galvão

A felicidade hiperbólica do Galvão Bueno é uma afronta à circunspecção necessária à felicidade apropriada.

Beto Sales

Ignorância

Nada substitui a ignorância quando um cretino decide parecer culto.

Beto Sales

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Descartáveis

Uma navegadinha chinfrim pela rede e descobri perplexo que a Claudia Jimenez publicou carta aberta destilando mágoa pelo pé na bunda desferido sem piedade por seu ex-namorado, e que um mendigo americano, os cornos do Nick Nolte, reclama a paternidade do cara.

Obama já era.

Beto Sales 

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Coca e beringela

Num tem jeito: neguim botou na cabeça que Coca-Cola tem que ser servida com gelo e limão. O que era acessório virou comóditi nos copos dos restaurantes pátrios. É assim também com a beringela, que cisma de vir embolada com pimentão nas bacias dos sélfis-sérvices. Nada contra o pimentão, muito menos com o simpático limão. Mas, caraio, eu tenho o direito de pedir uma Coca minimalista e comer beringela sem escolta.  

Beto Sales

domingo, 23 de novembro de 2008

Presuntada

Me lembra infância aquela lata de abrir esquisito que vinha com uma chavinha ad-hoc. Rasgava a parte superior do trapézio 3D com virulenta eficiência. A lata escondia uma delícia à época insuspeita: um aglomerado de carne e gordura de batismo presuntada. O diabo daquele emplasto era gostoso bagaraio, cru ou frito, com pingos ferventes a se lançar sobre nós de sua plataforma frigideral. Depois vieram os tempos de histeria anti-gordura, e as latas da boa e velha presuntada foram se encolhendo em lugares constrangedores nas gôndolas de nossas igrejas carrefúricas, cada vez mais ascéticas.

Hoje leio na Veja que, já sob o véu sombrio da crise encardida em que os caras enfiaram um mundo atônito, os americanos voltaram a comer o tal do fiambre glosturado, a nossa prosaica presuntada.

Por aqui, quando o presunto precisava chegar às mesas dos baixarrenda, a indústria inventou um troço de um avermelhado tépido e gosto resínico a que deram o nome de apresuntado.

Já-já estaremos rasgando latas para sorver, heaalth-food às favas, uma supertrans apresuntadada.

Beto Sales